A cantora e ativista Rita Lee teve uma daquelas ideias brilhantes,
dignas do seu gênio criativo. Reclamando da inutilidade de programas como o Big Brother, ela deu a seguinte sugestão:
"Colocar todos os pré-candidatos à presidência da República trancados
em uma casa, debatendo e discutindo seus respectivos programas de governo.
Sem marqueteiros, sem assessores, sem máscaras e sem discursos
ensaiados. Toda semana o público vota e elimina um. No final do programa, o
vencedor ganharia o cargo público máximo do país. Além de acabar com o
enfadonho e repetitivo horário político, a população conheceria o
verdadeiro caráter dos candidatos".
Assim, quem financiaria essa casa seria o repasse de parte do valor dos telefonemas que a casa receberia e ninguém mais precisará corromper empreiteiras ou empresas de lixo sob a alegação de cobrir o
"fundo de campanha".
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Entrevista muito interessante com Marcelo Tas... Ele fala sobre mídia, política, tv brasileira e, é claro, CQC... :)*
Entrevista com Marcelo Tas: O "CQC" é provocativo...
"O 'CQC' é provocativo, dá a cara para bater"
BEM PARANÁ
Marcelo Tas volta a fazer o que mais gosta na TV: jornalismo irreverente
Agência Estado
À frente do humorístico "Custe o Que Custar" (CQC), na Band, Marcelo Tas volta a fazer o que mais gosta: jornalismo irreverente. Desde que ficou conhecido com o personagem Ernesto Varela, o indiscreto repórter que abordava políticos nos anos 80, ele se acostumou a expressar suas opiniões sem filtro - vício de quem se expõe como roteirista,blogueiro e ator e já sabe como lidar com a crítica. Ele não é modesto. Nessa entrevista, Tas dá de ombros para o Ibope e diz que o povo quer mesmo é inovação - como a de seu "CQC", é claro.
Você se considera o Emílio Surita (líder do "Pânico") do "CQC"?
MARCELO TAS - Olha, eu até ficaria honrado. Se alguém falar isso, vou dizer: ‘Sou!’ Respeito demais o trabalho de todos do 'Pânico na TV' e falei isso quando estrearam e apanharam, como nós apanhamos um pouco. Acho maravilhoso quando colocam ousadia no ar. A televisão brasileira ficou parada muitos anos, careta,medrosa, repetindo fórmulas. Acho um atraso. As novelas que estão no ar são todas iguais. Como espectador, acho chato.
O "CQC" parece competir com o "Pânico". A comparação é justa?
MARCELO TAS - A gente estava preparado, era uma comparação óbvia Nosso formato não existia para o Brasil. A minha experiência como (Ernesto)Varella tinha a ver com o 'CQC ', mas nunca teve tanto espaço, uma hora e meia em rede nacional. Acho natural que comparecem com o mais próximo, que é o 'Pânico'. Mas eles são de outra praia.
Não vê semelhanças?
MARCELO TAS - Não vejo, a única é a irreverência. No nosso programa, somos sete homens relativamente feios e não tem uma mulher de biquíni. O 'Pânico' tem 12 mulheres de biquíni e os homens têm sempre um personagem, estão de peruca, de galinha... Menos o Emílio (Surita). A matéria-prima do nosso programa é jornalismo. Nós somos apenas os caras que estão ali para contar aquela história.
Você sempre deixa escapar alguma crítica no ar. Não consegue segurar o seu lado politizado?
MARCELO TAS - O programa tem uma elegância, não joga só casca de bananas para o pessoal escorregar. Para mim é muito natural dar a minha opinião, como também faço no meu blog. O 'CQC' me trouxe de volta para um tipo de jornalismo irreverente, inusitado, em uma linguagem direta especialmente com o público jovem e também para quem está de saco cheio desse discursinho tradicional dos políticos.
Como sabe o que o público quer?
MARCELO TAS - O blog me fez perceber que tem uma molecada interessada em política, mas cansada da discussão tradicional . Sempre gostei de falar de política, mas também estava de saco cheio porque o debate político está aprisionado. Existe até um cerceamento, os políticos não dão mais entrevista, por exemplo. A lei eleitoral é um horror, brochou as eleições. Lembro de debates animados. Com assessoria de imprensa emarqueteiro, o debate político ficou artificial. É igual Photoshop na mulher da Playboy (risos). Fica certinho demais.
Nessas horas, não tem vontade de voltar a fazer Ernesto Varella?
MARCELO TAS - Não tenho vontade de voltar porque ele nunca saiu de mim. É uma espécie de DNA que levo para várias coisas que faço. O Professor Tibúrcio (do 'Castelo Rá-Tim-Bum)' tem algo dele, por exemplo. Todo artista tem uma pegada e não mais de uma na vida. Tem gente que reclama que o (ator) Pedro Cardoso é sempre o mesmo personagem, mas essa é a virtude! Ele leva esse DNA de artista para os personagens. Marcello Mastroianni, Fernanda Montenegro, Regina Casé fazem sempre a mesma pessoa e deixam você fascinado por aquilo.
Na TV, nem sempre o que tem qualidade é o que dá mais audiência. A medição do Ibope é equivocada?
MARCELO TAS - Acho que a leitura do Ibope é equivocada. O Ibope é um método científico, não se discute, mas os números do Ibope saem nas colunas e não acho que o público esteja interessado nisso. O público quer ser surpreendido. A gente assiste à televisão esperando uma surpresa, mesmo que não saiba. Os números doIbope não refletem isso. Qual é a tendência? O que o público quer ver e não tem? Ele apenas registra um hábito.
Como o de assistir ao "Zorra Total" (Globo), por exemplo, que dá audiência?
MARCELO TAS - Eu não tenho algo contra esse programa. Aliás, os programas que têm mais audiência são os que têm mais qualidade. Os programas que têm baixa qualidade enganam por um tempo o espectador. Teve um programa que foi um estouro de audiência, o 'Aqui Agora' (doSBT). A gente pensava que ele e o Ratinho iam derrubar a TV Globo. Eu sei porque trabalhava lá naquela época, na criação do 'Casseta & Planeta' e do 'Programa Legal'. A gente pensava que ia ficar desempregado, mas saíram do ar. Esses programas vão desaparecendo.
Então, está tranqüilo quanto à audiência do "CQC" ?
MARCELO TAS - Estamos surpresos com o crescimento de audiência tão rápido. A gente começou o programa achando que ia passar três meses sem que alguém soubesse que estava no ar. (risos) E depois da segunda semana começamos a ter uma resposta absurda! Continuo acreditando que precisamos de mais uns meses para sair da sala de parto, mas a curva de audiênciareflete uma vontade do espectador de ver algo que não existia. O 'CQC ' é provocativo, dá a cara para bater . Às vezes a gente ultrapassa alguns limites, reconhece e dá um passo atrás. A gente se mostra vulnerável também.
Se é verdade que a qualidade perdura na TV, por que o Chico Anysio não consegue mais ter espaço?
MARCELO TAS - É uma boa pergunta. Sou admirador do Chico, mas ele teve uma falha básica. Naquela época em que estávamos na criação do 'Casseta' e do 'Programa Legal', ele detonou esses programas, tentou até impedir a estréia. Foi contra o novo naquela época. Talvez tenha pagado um preço por ter passado um tempo amargurado. Ele é um grande humorista, mas talvez não tenha se renovado.
O humor de um homem só não está mais na TV. O Tom Cavalcante mudou o formato, por exemplo.
MARCELO TAS - O Tom é um exemplo de alguém que se reinventou. Consegue fazer uma cena sem falar palavrão ou piada preconceituosa e você achar muita graça em um Tiririca, que parecia ser um cara de uma nota só, com a (música) Florentina, mas hoje tem momentos de Oscarito, brilhantes. Ele tem timing, noção da câmera. As pessoas acham que aquilo é só humor popular, mas é sofisticado, difícil.
E o que acha da onda da chamada "stand up comedy" (espetáculo de comédia feito por um apenas um artista no palco)?
MARCELO TAS - Eu adoro e nunca entendi porque não tinha no Brasil. A primeira vez que viajei para fora do País foi em 1985 e vi o DavidLetterman em Nova York. Depois disso, sempre procurava. Quando a 'Terça Insana' estourou, mostrou que tinha um público carente de humor mais inteligente. Hoje, tem muita gente boa e a internet ajudou a revelar esses caras. Dos sete do 'CQC', cinco eram estrelas da internet. É outro momento.
E você perdura. É por causa da "persona" que criou para a TV?
MARCELO TAS - Vou contar um segredo. (risos)
Tudo bem, mas vou publicar
MARCELO TAS - Pode publicar. Ninguém que aparece na televisão é daquele jeito. É impossível. Porque na TV você tem de ter um jeito de falar, de olhar para acâmera . Imagine se fizesse o dia inteiro na sua casa (muda a voz, como na televisão): ‘E agora, o arroz na mesa!’ (risos). A televisão exige umaeletricidade que, graças a Deus, não tem a ver com a vida cotidiana . Seria insuportável encontrar na rua com as pessoas falando como falam na televisão. (risos) Uso recursos para fingir que estou ali na TV, mas não sou eu.
Como não virou o "tiozinho" do "CQC" mesmo sendo o mais velho?
MARCELO TAS - Obrigado (risos). Para mim nunca foi importante continuar jovem, meu termômetro é estar plenamente satisfeito, feliz naquele trabalho.
Então deve desanimar rápido.
MARCELO TAS - Não! Tenho blog faz quatro anos, fiquei no (programa) 'Vitrine' (da TV Cultura) por seis anos. E não podemos esquecer que cada ano na TV é como ano de cachorro: vale por sete (risos). Então, só no 'Vitrine' fiquei 42 anos.
http://tiosamnews.spaces.live.com/blog/cns!46E85566A34CA36C!1360.entry
"O 'CQC' é provocativo, dá a cara para bater"
BEM PARANÁ
Marcelo Tas volta a fazer o que mais gosta na TV: jornalismo irreverente
Agência Estado
À frente do humorístico "Custe o Que Custar" (CQC), na Band, Marcelo Tas volta a fazer o que mais gosta: jornalismo irreverente. Desde que ficou conhecido com o personagem Ernesto Varela, o indiscreto repórter que abordava políticos nos anos 80, ele se acostumou a expressar suas opiniões sem filtro - vício de quem se expõe como roteirista,blogueiro e ator e já sabe como lidar com a crítica. Ele não é modesto. Nessa entrevista, Tas dá de ombros para o Ibope e diz que o povo quer mesmo é inovação - como a de seu "CQC", é claro.
Você se considera o Emílio Surita (líder do "Pânico") do "CQC"?
MARCELO TAS - Olha, eu até ficaria honrado. Se alguém falar isso, vou dizer: ‘Sou!’ Respeito demais o trabalho de todos do 'Pânico na TV' e falei isso quando estrearam e apanharam, como nós apanhamos um pouco. Acho maravilhoso quando colocam ousadia no ar. A televisão brasileira ficou parada muitos anos, careta,medrosa, repetindo fórmulas. Acho um atraso. As novelas que estão no ar são todas iguais. Como espectador, acho chato.
O "CQC" parece competir com o "Pânico". A comparação é justa?
MARCELO TAS - A gente estava preparado, era uma comparação óbvia Nosso formato não existia para o Brasil. A minha experiência como (Ernesto)Varella tinha a ver com o 'CQC ', mas nunca teve tanto espaço, uma hora e meia em rede nacional. Acho natural que comparecem com o mais próximo, que é o 'Pânico'. Mas eles são de outra praia.
Não vê semelhanças?
MARCELO TAS - Não vejo, a única é a irreverência. No nosso programa, somos sete homens relativamente feios e não tem uma mulher de biquíni. O 'Pânico' tem 12 mulheres de biquíni e os homens têm sempre um personagem, estão de peruca, de galinha... Menos o Emílio (Surita). A matéria-prima do nosso programa é jornalismo. Nós somos apenas os caras que estão ali para contar aquela história.
Você sempre deixa escapar alguma crítica no ar. Não consegue segurar o seu lado politizado?
MARCELO TAS - O programa tem uma elegância, não joga só casca de bananas para o pessoal escorregar. Para mim é muito natural dar a minha opinião, como também faço no meu blog. O 'CQC' me trouxe de volta para um tipo de jornalismo irreverente, inusitado, em uma linguagem direta especialmente com o público jovem e também para quem está de saco cheio desse discursinho tradicional dos políticos.
Como sabe o que o público quer?
MARCELO TAS - O blog me fez perceber que tem uma molecada interessada em política, mas cansada da discussão tradicional . Sempre gostei de falar de política, mas também estava de saco cheio porque o debate político está aprisionado. Existe até um cerceamento, os políticos não dão mais entrevista, por exemplo. A lei eleitoral é um horror, brochou as eleições. Lembro de debates animados. Com assessoria de imprensa emarqueteiro, o debate político ficou artificial. É igual Photoshop na mulher da Playboy (risos). Fica certinho demais.
Nessas horas, não tem vontade de voltar a fazer Ernesto Varella?
MARCELO TAS - Não tenho vontade de voltar porque ele nunca saiu de mim. É uma espécie de DNA que levo para várias coisas que faço. O Professor Tibúrcio (do 'Castelo Rá-Tim-Bum)' tem algo dele, por exemplo. Todo artista tem uma pegada e não mais de uma na vida. Tem gente que reclama que o (ator) Pedro Cardoso é sempre o mesmo personagem, mas essa é a virtude! Ele leva esse DNA de artista para os personagens. Marcello Mastroianni, Fernanda Montenegro, Regina Casé fazem sempre a mesma pessoa e deixam você fascinado por aquilo.
Na TV, nem sempre o que tem qualidade é o que dá mais audiência. A medição do Ibope é equivocada?
MARCELO TAS - Acho que a leitura do Ibope é equivocada. O Ibope é um método científico, não se discute, mas os números do Ibope saem nas colunas e não acho que o público esteja interessado nisso. O público quer ser surpreendido. A gente assiste à televisão esperando uma surpresa, mesmo que não saiba. Os números doIbope não refletem isso. Qual é a tendência? O que o público quer ver e não tem? Ele apenas registra um hábito.
Como o de assistir ao "Zorra Total" (Globo), por exemplo, que dá audiência?
MARCELO TAS - Eu não tenho algo contra esse programa. Aliás, os programas que têm mais audiência são os que têm mais qualidade. Os programas que têm baixa qualidade enganam por um tempo o espectador. Teve um programa que foi um estouro de audiência, o 'Aqui Agora' (doSBT). A gente pensava que ele e o Ratinho iam derrubar a TV Globo. Eu sei porque trabalhava lá naquela época, na criação do 'Casseta & Planeta' e do 'Programa Legal'. A gente pensava que ia ficar desempregado, mas saíram do ar. Esses programas vão desaparecendo.
Então, está tranqüilo quanto à audiência do "CQC" ?
MARCELO TAS - Estamos surpresos com o crescimento de audiência tão rápido. A gente começou o programa achando que ia passar três meses sem que alguém soubesse que estava no ar. (risos) E depois da segunda semana começamos a ter uma resposta absurda! Continuo acreditando que precisamos de mais uns meses para sair da sala de parto, mas a curva de audiênciareflete uma vontade do espectador de ver algo que não existia. O 'CQC ' é provocativo, dá a cara para bater . Às vezes a gente ultrapassa alguns limites, reconhece e dá um passo atrás. A gente se mostra vulnerável também.
Se é verdade que a qualidade perdura na TV, por que o Chico Anysio não consegue mais ter espaço?
MARCELO TAS - É uma boa pergunta. Sou admirador do Chico, mas ele teve uma falha básica. Naquela época em que estávamos na criação do 'Casseta' e do 'Programa Legal', ele detonou esses programas, tentou até impedir a estréia. Foi contra o novo naquela época. Talvez tenha pagado um preço por ter passado um tempo amargurado. Ele é um grande humorista, mas talvez não tenha se renovado.
O humor de um homem só não está mais na TV. O Tom Cavalcante mudou o formato, por exemplo.
MARCELO TAS - O Tom é um exemplo de alguém que se reinventou. Consegue fazer uma cena sem falar palavrão ou piada preconceituosa e você achar muita graça em um Tiririca, que parecia ser um cara de uma nota só, com a (música) Florentina, mas hoje tem momentos de Oscarito, brilhantes. Ele tem timing, noção da câmera. As pessoas acham que aquilo é só humor popular, mas é sofisticado, difícil.
E o que acha da onda da chamada "stand up comedy" (espetáculo de comédia feito por um apenas um artista no palco)?
MARCELO TAS - Eu adoro e nunca entendi porque não tinha no Brasil. A primeira vez que viajei para fora do País foi em 1985 e vi o DavidLetterman em Nova York. Depois disso, sempre procurava. Quando a 'Terça Insana' estourou, mostrou que tinha um público carente de humor mais inteligente. Hoje, tem muita gente boa e a internet ajudou a revelar esses caras. Dos sete do 'CQC', cinco eram estrelas da internet. É outro momento.
E você perdura. É por causa da "persona" que criou para a TV?
MARCELO TAS - Vou contar um segredo. (risos)
Tudo bem, mas vou publicar
MARCELO TAS - Pode publicar. Ninguém que aparece na televisão é daquele jeito. É impossível. Porque na TV você tem de ter um jeito de falar, de olhar para acâmera . Imagine se fizesse o dia inteiro na sua casa (muda a voz, como na televisão): ‘E agora, o arroz na mesa!’ (risos). A televisão exige umaeletricidade que, graças a Deus, não tem a ver com a vida cotidiana . Seria insuportável encontrar na rua com as pessoas falando como falam na televisão. (risos) Uso recursos para fingir que estou ali na TV, mas não sou eu.
Como não virou o "tiozinho" do "CQC" mesmo sendo o mais velho?
MARCELO TAS - Obrigado (risos). Para mim nunca foi importante continuar jovem, meu termômetro é estar plenamente satisfeito, feliz naquele trabalho.
Então deve desanimar rápido.
MARCELO TAS - Não! Tenho blog faz quatro anos, fiquei no (programa) 'Vitrine' (da TV Cultura) por seis anos. E não podemos esquecer que cada ano na TV é como ano de cachorro: vale por sete (risos). Então, só no 'Vitrine' fiquei 42 anos.
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